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O cenário atual e a Responsabilidade Técnica

Com a chegada do Novo Código de Ética Profissional previsto para Setembro de 2017, a cobrança por parte da fiscalização das Resoluções 1015 e 1069 do CFMV e a Leis Estaduais como por exemplo no Rio de Janeiro a Lei 5.811/2014 colocando o Mercado Pet em evidência e é hora de mais uma vez expressar o posicionamento técnico e colocar alguns pingos nos “IS” em vista de comentários extremamente desencontrados, outros extremamente agressivos e outros ainda completamente ignorantes ( ignorância = desconhecimento) e despreparados por membros do mercado pet brasileiro, sejam lojistas, tosadores, médicos veterinários ou proprietários de animais de estimação.

Muitos são os aspectos e cenários abrangidos, pelo Novo Código de Ética, pelas duas Resoluções do CFMV e pela Lei em questão, mas como sempre, o vício da pouca leitura e superficial e deficiente interpretação, bem como do interesse de algumas pessoas apenas divulgarem parte das mesmas, temos um monte de questões que serão esquecidas, mal trabalhadas e foco de muita discussão entre as partes envolvidas!

Mas nas ferramentas jurídicas em questão, aparece mais uma vez a presença do Médico Veterinário e...claro...uma tremenda confusão entre as esperadas funções desse profissional dentro dos segmentos citados nas legislações novas.

Mas o problema começa quando mais uma vez percebo que nem os colegas que estão dentro de seus universos regulatórios fazendo as legislações sabem distinguir e separar o termo Médico Veterinário do termo Responsável Técnico!

Como esperar que o Mercado entenda nosso papel se membros dos Conselhos Regionais e do Federal, salvo honrosas e a cada dia mais numerosas exceções nas duas esferas, sequer sabe o que um Responsável Técnico é, o que faz, quais suas funções, e como se relaciona com a MODERNA E ATUAL ESTRUTURAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO MERCADO PET E SUA SOCIEDADE DE CONSUMO? Pois de questões estruturais e éticas, nosso órgãos possuem excelente fundamentação, mas distanciada de nossa realidade profissional...fato!

Hoje a maior transformação em nosso Código de Ética versará sobre a exposição de nossa relação comercial no que diz respeito à venda de nossos serviços veterinários, e se tal mudança se deveu a transformações e pressões da sociedade como um todo, devemos atentar que o profissional de Responsabilidade Técnica seja capaz de gerenciar todo esse processo de transição de forma a atender ao nosso Código em sua nova versão.

E você colega, sabe preencher um livro de ocorrência? Sabe entregar um roteiro de auto-inspeção corretamente preenchido? Já está sabendo preencher via web as requisições da Resolução 25 do Mapa? Já sabe o que o fiscal do Ministério do Trabalho vai averiguar na empresa pet onde você assina?

E os empresários do setor pet que só querem continuar no erro? Aqueles que vendem produtos sem registro, fora da validade, que oferecem salões de banho e tosa sem condições de trabalho e sem circulação de ar para seus funcionários e clientes? E os que sequer sabem o que é CNPJ???

Quero deixar claro que a Responsabilidade Técnica é uma especialidade da Medicina Veterinária como outra qualquer, e por não ser vista assim ainda temos que ler e escutar o que pude separar essa semana nas mídias sociais:

“ Então quer dizer que agora eu tenho que arrumar um otário para assinar para minha loja?”

“ Ah vá..ser RT ? O cara não vai estudar anos em uma faculdade de veterinária para ser RT!”

“ Pra que RT se eu sei tosar cachorro sozinho?”

“ O Meu RT não aparece nem pra receber para quê eu vou me preocupar?”

O ponto principal de todo esse problema vamos conhecer?

NINGUÉM SABE O PAPEL DE UM RT NO MERCADO PET!

Simples assim!

Vamos a pontos importantes:

  1. Responsável Técnico não é Emergencista de Plantão em Petshops e Salões de Banho e Tosa
  2. Não atuamos apenas para resolver acidentes no banho e tosa, somos responsáveis por introduzir metodologia de trabalho JUNTO com os profissionais de banho e tosa visando EVITAR que estes acidentes ocorram!
  3. O exercício da Responsabilidade Técnica é incompatível com o exercício da Clínica Médica no mesmo tempo e espaço!
  4. O Responsável Técnico da sua empresa não é um plantonista de balcão!
  5. A Responsabilidade Técnica tem ações preventivas, de controle e corretivas!
  6. A carga horária mínima é de seis horas, mas em muitos estabelecimentos essa carga é incapaz de atender toda a demanda de trabalho necessário para que possamos atingir índices de produtividade elevados.
  7. Se você colega veterinário é o RT de sua própria clínica recomendo que seja o RT de sua própria clínica de fato! Existem muitas exigências a serem cumpridas! Olha a 1015 aí gente! Só para citar uma mais “ atual!” ok?
  8. O RT certifica a existência da empresa pet e vet em várias esferas fisacalizatórias como Visa, Mapa e Zoonoses só citando algumas, pois dependendo do local onde você esteja as esferas fiscalizatórias podem ser bem mais numerosas!
  9. O RT tem que ser visto como um apoio à correção e ao trabalho correto, e não como obstáculo!
  10. Não é possível que alguém ceda seu nome para assinar a ART de uma empresa pet/vet e nem apareça para trabalhar, sabendo da implicação legal que cresce a cada dia e que poderá recair sobre você em processos éticos, criminais e civis!
  11. Muitos proprietários reclamam, mas estão é bem satisfeitos com a situação na verdade pois não querem ninguém lhes dizendo que estão fazendo as coisas erradas, sejamos bem claros quanto a isso também!
  12. Os colegas veterinários deveriam responder a processo ético caso desmerecessem o trabalho daqueles que resolvessem dedicar suas carreiras à Responsabilidade Técnica pois não existe “especialidade menor” como já vi em vários grupos de discussão.
  13. O RT promove o bom trabalho de cada profissional que esteja sob sua supervisão, o seu sucesso como profissional, depende do sucesso de todos que lá estejam!

É importante que aproveitemos esse cenário de confusão e impacto, para que possamos discutir um processo de reformulação do papel do Responsável Técnico no Mercado Pet Brasileiro!

É agora que a classe tem a possibilidade de exercer seu papel social e resgatar nosso espaço que vem sendo desprestigiado constantemente pela mídia, por ongs e pseudo protetores midiáticos que de boa intenção só existe a da autopromoção a qualquer custo, ou seja , criando o personagem do veterinário “malvado e insensível!”

Eu sempre me coloco à disposição para discutir essa revisão do conceito de Responsabilidade Técnica com todos os nossos CRMVs e com nosso CFMV, mostrar esse novo conceito de uma administração veterinária moderna onde o RT atua como um gestor do serviço veterinário e dos serviços nos quais haja correlação, e reforço a minha posição!

Não somos profissionais de segunda classe! Somos profissionais que merecem o respeito da sociedade e de nossos órgãos fiscalizadores! Afinal.... não somos os olhos da sociedade dentro dos estabelecimentos ?”

Me parece que alguns estão cegos, outros de olhos fechados, mas agora grande parte está abrindo os olhos e meio incomodados com a luz do saber e da pressão da sociedade, precisarão se adaptar a nova realidade que bate às suas portas!

Vamos nos capacitar em Responsabilidade Técnica?

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